O arco para o violoncelo
O arco é erroneamente relegado a segundo plano, ainda que sendo parte integral na busca por um bom conjunto. Na realidade um bom arco faz aflorar as melhores características do cello, permitindo explorar as melhores cores tonais, facilitar ataques de arco difíceis e tornar mais agradável sua experiência em tocar. O arco tem vários tamanhos: 1/4, 1/2, 3/4, 4/4; compre o tamanho adequado ao seu tamanho de corpo e braço. O tamanho usual para um adulto é o 4/4.
Material
Um bom arco tem sua vareta feita de pau-brasil de boa procedência (a de Pernambuco é a mais comum), snakewood e ébano, bem como marfim autêntico e casca de tartaruga. Cada arco é confeccionado à mão, de acordo com a madeira utilizada. A vareta é graduada em resistência e flexibilidade e, balanceada para o melhor tocar, de acordo com a preferência do instrumentista. Tem o talão em ébano, marfim e casca de tartaruga, com acabamento em madrepérola e prata ou ouro. Embora a maioria dos arcos siga o desenho tradicional francês, deve ser executado de forma a manter sempre a melhor flexibilidade possível em sua ponta.
Procedência
A Alemanha possui larga tradição na confecção de arcos, caracterizados por sua solidez e dando ao instrumentista um feeling seguro ao tocar. Encontraremos bons arcos feitos também na Itália e na Bélgica. Alguns artezãos brasileiros têm feito bons arcos no país.
Arquetários
Dentre os arquetários de renome podemos citar: Sartory (séc.XIX), S. Salchow (séc.XIX), W. Salchow (séc.XVIII), Pajeot (séc.XVIII), Persois (séc.XIX), Nicholas Maline, François Xavier Tourte (1747-1835), Sleeman, John Dodd (1752-1839), James Tubbs, W. E. Hills, François Nicolas Voirin (1833-85), François Lupot (1774-1837), Nicolas Eury (?-1830), Joseph Henry e Dominicque Peccate (1810-74), Charles Nicolas Buzin, Alfred Lamy, Louis e Claude Tomassin, Jean Baptiste Vuillaume (1798-1875), Fonclause. Na Alemanha surgiram Bausch, Knopf, Nurnberger e Pfretschner. Mesmo nos EUA surgiram bons arquetários, tais como William Salchow e John Bolander Jr.
No Brasil destaca-se o trabalho de Daniel Lombardi, de São Paulo, com arcos para violino, viola e cello, confeccionados em pau-brasil selecionado. Lombardi é autodidata e tem cursos de especialização na Europa e nos Estados Unidos. Contato pode ser feito diretamente com ele pelo telefone 3864-6642.
Os arcos de fibra
Aos poucos os músicos que tocam instrumentos de corda vão aceitando o arco de fibra de carbono. Os feitos atualmente oferecem alta performance e excelente sonoridade, a preços acessíveis. A vantagem da fibra de carbono reside em suas propriedades de consistência e flexibilidade.
Dentre os fabricantes atuais merece destaque o arquetário italiano Claudio Righetti, de Verona. Righetti foi um dos pioneiros em usar a fibra de vidro e de carbono e seus arcos são construídos da maneira tradicional, com talão em ébano e montagem em prata ou ouro. Cada detalhe de acabamento é tão bem cuidado como os dos arcos de pau-brasil pernambuco. São confeccionados em três diferentes tipos: Lamy, Pecatte e Sartory, para cada característica de tocar. São peças de grande beleza. Custam por volta de US$ 1,500 a 2,000 e podem ser encomendados diretamente de Claudio Riguetti ou, nos Estados Unidos, via site www.johnsonstring.com.
São bons também os arcos Coda, que existem em 4 tipos: Aspire (preço em torno de US$ 325), Conservatory ($475), Colours ($520) e Classic ($925).
Arcos de fibra de carbono de boa qualidade se distinguem por suas boas características de balanço, resposta, flexibilidade e facilidade de tocar, que têm impressionados até os celistas exigentes.
Preços de arcos
Um arco para estudante pode custar entre 40 e 100 dólares. Um arco de boa qualidade para um estudante (um Hoffmann ou um Krausch, por exemplo) pode custar algo entre 150 e 400 dólares; se o estudante for um pouco mais exigente poderá partir para algo do nível de um CodaBow e pagar entre 400 e 1000 dólares. Já arcos de primeiríssima, como um Nicholas Maline - c.1870 ou um Francois Lupot - c.1815 podem custar 50 mil dólares. Um Sartory bem cuidado pode ter preço acima dos 90 mil dólares.
Exemplos

Dois bons arcos de série: CodaBow Classic e Hoffmann

Arco
Sartory de 1816
Cuidados com o arco
Se você toca em média algumas horas por dia, é recomendável que a crina seja trocada a cada 6 meses; ser você toca algumas vezes por semana, substitua a crina uma vez ao ano. Isso porque a crina pode deformar à medida em que envelhece e isto pode alterar o balanço correto do arco.
Passe breu no arco mais ou menos a cada 2-3 horas de uso. Use mais breu se a crina foi recentemente trocada. Não balance o arco no ar para tirar algum excesso de breu; é arriscado bater ou fletir demais. Breu escuro é mais suave do que o breu claro.
Dê preferência a guardar o arco em estojo próprio, de forma a protegê-lo de variações de temperatura, umidade e tensão.
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