
Johannes Brahms
Concerto Duplo em lá menor, Op.102
Allegro
(aprox. 16:45)
Andante (aprox. 7:50)
Vivace non troppo (aprox. 8:50)
Orquestração
(notação em inglês): Solo Violin and
Cello / 2 Fl., 2 Ob., 2 Cl., 2 Bas. / 4 Hrn., 2 Tpt. / Timp. / Str.
Duração aproximada: 33 Min.
Composto em: 1887
Haviam poucos precedentes quando Brahms decidiu escrever um concerto duplo para violino e violoncelo. Durante a era barroca, os compositores se deliciavam no concerto grosso, que é um concerto para orquestra com múltiplos solistas. Mozart compôs vários concertos duplos para dois ou três pianos, um para harpa e flauta, um para violino e viola e um (cuja autenticidade é posta em dúvida) para quatro madeiras solistas. De Beethoven veio um concerto triplo para violino, violoncelo e piano. Todos esses se situam há décadas no passado. Exceto por um ou outro concerto duplo para piano, os compositores romanticos do Séc. XIX nunca se incomodaram com concertos para mais de um solista.
Brahms, contudo, raramente se prendia às mesmas coisas que atraiam os demais compositores de sua geração. Esse retorno a um gênero passado era típico de sua permanente fascinação pelos estilos clássicos de composição, e mostra como ele atualizava esses estilos para se encaixarem na grandiosidade de uma grande orquestra. Embora seu Concerto Duplo seja conceitualmente o tipo de peça que poderia ter se originado na época de Mozart, ele ganha sua mais forte expressão através da voz rica do Romantismo.
Tendo completado seu Concerto para Violino, duas sonatas para violino e duas para violocelo, parecia que Brahms já tinha a necessária familiariedade para compor para esses dois instrumentos juntos. No entando, ele não tinha tanta certeza. Com pianista que era, se sentia inseguro em escrever para um instrumento solo que ele mesmo não tocava e, além disso, havia o fato de que virtuoses em geral costumam oferecer sua contribuição e isso deixava Brahms algo desconfortável. Ele até comentou isso em uma carta para Clara Schumann, dizendo "é algo totalmente diferente escrever para instrumentos cujo caráter e som alguém incidentalmente imagina, do que para instrumentos que se conhece completamente". Mas firmemente se ateve à essa tarefa e até ofereceu sua casa em Baden-Baden para os primeiros ensaios da obra. A premiére ocorreu em Colônia em 18 de outrobro de 1887, sob a regência dele próprio. Os solistas, os dois amigos para quem ele havia composto a obra: Joachim e Hausmann.
Esse foi o último concerto composto por Brahms e também sua derraderia composição usando orquestra. Datado de 1887, deu seguimento à sua ultima sinfonia, a Quarta, terminado dois anos após esta ultima. Nesse trabalho Brahms pode ter planejado prestar tributo ao ideal barroco do concerto grosso, ainda que esperasse atingir dois objetivos ao mesmo tempo. Ele havia prometido ao seu amigo violoncelista Robert Hausmann um concerto para solista, mas nunca teve a oportunidade de escrevê-lo. Nessa época Brahms havia tido um pequeno atrito com seu colega de longa data, o violinista Joseph Joachim, que achava que Brahms o havia posto de lado com a ex-esposa de Joachim, por conta de seu recente divórcio. Então, através do bálsamo de uma composição, Brahms esperava acariciar três almas: as de Joachim, de Hausmann e a sua própria.
Esse sentimento era uma característica de Brahms, possuidor de uma forte personalidade humanitária. Quando o dinheiro que ganhava se mostrava acima de suas necessidades básicas, ele o dispunha para ajudar músicos, usualmente fazendo doações anônimas. Foi assim , por exemplo, que ajudou substancialmente Dvorak quando este ainda era um compositor obscuro e mal de vida. Essas suas características ajudam a entender os atributos do gênio, que no conceito de Gopi Krishna é alguém de extraordinário talento, grande criatividade e capacidade de aprendizado, elevada natureza moral e senso de unicidade, com alto grau de magnestimo pessoal e apreço pelo semelhante. Assim era Johannes Brahms. Assim se materializaram suas obras.
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