Os concertos para violoncelo de Haydn


Haydn: ¤Rohrau (Áustria), 31/3/1732; †Viena, 31/5/1809

Franz Joseph ("Papa'') Haydn foi talvez o mais prolífico compositor de todos os tempos, tendo escrito 18 operas, 104 sinfonias, 83 quartetos de cordas, inúmeras canções, obras corais, música de câmara, puppet operas, e ainda 32 peças para mechanical clocks. A lista competa de suas obras ocupa quase 40 páginas no Grove's Dictionary of Music and Musicians, isso sem falar nas obras que se perderam!

Durante quse dois séculos julgou-se que existia apenas um concerto para violoncelo composto por Haydn, o Concerto em Ré Maior, Op. 102. A única menção de que havia um outro concerto para o cello encontrava-se num catálogo compilado pelo próprio compositor em 1765. A autenticidade só pode ser assegurada para os concertos em Ré Maior Hob. VIIb:2 e em Dó Maior Hob. VIIb:1.

Há um terceiro concerto para violoncelo atribuído a Haydn, em Ré Maior, provavelmente composto por volta de 1772, com edição de 1894 em Leipzig, que na realidade é apócrifo. Sobre ele pairam dúvidas de caráter técnico que fazem a maioria dos experts duvidar de sua autoria por Haydn. É relacionado com sendo Hob VIIb:4 mas é comumente atribuído a Costanzi.

Acredita-se, no entanto, que outros concertos para o cello foram compostos por Haydn, mas que se econtram perdidos. Seriam eles: 1)um concerto em Dó Maior, de circa 1761; 2)um concerto em Dó maior, de data imprecisa, relacionado como Hob VIIb:5; 3)um concerto em Fá menor, de 1773.

O Concerto para Violoncelo e Orquestra em Ré Maior (D Major), Op. 102, Hob VIIb:2 (1783 )
Allegro Moderato - Adagio - Allegro

Também chamado de "O grande", é uma das obras mais conhecidas de Haydn. Foi escrito em 1783, dedicado a Anton Kraft, principal celista da orquestra de Esterházy desde 1778 e mais tarde apadrinhado pelo Conde de Lobkowitz em Viena. Um grande instrumentista de sua época, foi também para Kraft que Beethoven escreveu seu Concerto Triplo Op. 56. Algumas fontes no entanto levantam a possibilidade de o Grande Concerto de Haydn ter sido escrito para Valentino Bertoja, segundo celista da orquestra de Esterházy. As dúvidas a respeito parecem ter sido dissipadas por ocasião da descoberta dos originais em 1953, apesar da edição conhecida até então ser a de Johann André, de circa 1804.

É uma obra que exige bastante do solista, especialmente nas posições de digitação, nas paradas duplas e nas mudanças de oitava. O primeiro movimento é genuinamente da forma sonata, onde a segunda passagem-solo é rica em intensidade e motivos, com modulações que conduzem seu desenvolvimento. A estrutura periódica dos motivos centrais, em conjunto com seu conteúdo dentro de uma estrutura tônico-dominante, garantem um sentido clássico para os temas principal e secundário. Tal qual o Concerto em Dó Maior, o segundo movimento tende para um modelo em forma-sonata, ao passo que o último movimento segue a estrutura rondó típica do século 19.

O Concerto para Violoncelo e Orquestra em Dó Maior (C Major), Op. 101, Hob.VIIb:1 (1761-65)
Moderato - Adagio - Allegro molto

O Concerto para Violoncelo em Dó Maior foi revelado ao mundo em 1961, quando algumas partituras manuscritas do século dezoito foram encontradas no Museu Nacional de Praga. Composto no início da década de 1760, nos mostra um Haydn excepcionalmente confiante na forma concerto, o que nunca foi o seu forte. Foi composto por volta de 1761-1765 e teve sua primeira apresentação moderna em 19 de maio de 1962 em Praga. A orquestração é para cello solo, 2 oboes, 2 trompas, violinos, violas e contrabaixos. Pensou-se que esse concerto tinha se perdido; isso perdurou por quase dois séculos até ser descoberto no Museu Nacional de Praga por um músicólogo tcheco chamado Odlrich Pulkert. Foi provavelmente escrito para Joseph Weigl, um grande amigo de Haydn, que era o principal celista na orquestra da corte do Príncipe Esterházy, patrono do autor.

É um concerto escrito no tradicional estilo rápido-lento-rápido, iniciando-se com um moderato onde o tema principal varia ligeiramente cada vez que surge. O adorável adagio central é escrito apenas para as cordas, provavelmente para aflorar o colorido tonal de Weigl. O allegro molto do final permite ao solista uma típica exibição virtuosística, dentro de uma abundante inventividade musical, trazendo uma agradável conclusão a essa obra tão charmosa.