Antonio Janigro

Antonio Janigro, o grande violoncelista italiano, nasceu a 21 de janeiro de 1918 em Milão, em uma rua singular: a via Guido d'Arezzo. Para quem não se lembra, ao músico Guido d'Arezzo é atribuída a criação da escrita musical através do pentagrama e das notas musicais.

Iniciou seus estudos musicais no piano aos 6 anos de idade e começou a tocar violoncelo aos 8 ensinado por Giovanni Berti, que o presenteou com seu primeiro cello. A iniciativa de Berti não poderia ter sido mais profícua: o amor ao cello foi instantâneo e, em menos de um ano, Janigro progrediu o suficiente para ser admitido no Conservatório Verdi de Milão, onde passou a estudar com Gilberto Crepaux.

Aos 11 anos, através dos esforços de sua mãe Nicola, teve ele a oportunidade de tocar para Pablo Casals que, impressionado com o garoto, o encaminhou para estudos em Paris. Dele falou Casals: "É um instrumentista brilhante, com um fino senso de estilo".

Em 1934, aos 16 anos, passou a estudar na École Normale em Paris, onde tomou contato com grandes nomes como Casals, Alexanian, Cortot, Thibaud, Paul Dukas, Nadia Boulanger, Stravinsky e outros. Nessa época teve como colegas nomes como Genette Neveu e o grande pianista romeno Dinu Lipatti. Ainda em 1934 faria seu primeiro recital solo, em Pavia.

Inicou a carreira solo logo após sua graduação em 1937, tocando com Lipatti, Paul Badura-Skoda e Carlo Zecchi. Vários concertos se seguiram pela Europa, onde o talento de Janigro se aliava à sua figura elegante, sempre muito bem vestido e com seu indefectível cigarro!

O irromper da Segunda Guerra Mundial o pegou em Zagreb, na Yugoslávia (Croácia), onde foi forçado a ficar. O Conservatório de Zagreb o ofereceu a posição de professor de violoncelo e música de câmara, o que o proporcionou não só um grande progresso musical como também o fundar uma escola de violoncelo moderna e respeitada, com a cooperação também de outro virtuoso do cello, Rudolf Martz. Formou nessa época o notável trio Macek-Sulek-Janigro.

Ao final da guerra, Janigro fez várias excursões à América do Sul e ao Oriente Médio. Foi em uma dessas excursões que Janigro ficou muito impressionado com um jovem celista brasileiro, então com 16 anos de idade; estava dada a partida para a carreira brilhante do nosso Antonio Menezes. E, entre outros discúpulos seus, Brunelo, Flaksman, de Secondi e Demenga são violoncelistas de destaque no cenário atual.

Janigro se tornou também um respeitado regente, tendo formado a Sinfônica da Radio de Zagreb e regido orquestras importantes em toda a Europa. Fundou também, em 1954, a melhor orquestra de câmara de sua época, I Solisti de Zagreb, que ainda se apresenta regularmente e tem vários CDs gravados. De 1965 a 1974 foi professor de master classes em cello no Conservatório de Düsseldorf.

Antonio Janigro fez mais de 50 gravações e passou a maior parte de sua vida em Zagreb. Faleceu em Milão, na manhã de 1 de maio de 1989.