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Origem do I Ching

Como algo tão antigo, datando provavelmente de cerca de 5000 anos, é difícil afirmar sobre a real origem do I Ching. Richard Wilhelm, um dos mais respeitados autores sobre o I Ching, diz que o I Ching surgiu no período anterior à dinastia Chou (1150-249 a.C.).

I Ching significa "O Livro das Mutações". Nele está implícito o fato de que nada é imutável e tudo se altera de forma a não se repetir jamais, em um desafio à compreensão do mundo pelo homem. Conta-se, nos Analetos, que Confúcio, diante de um rio, disse: "Tudo segue, fluindo, como esse rio, sem cessar, dia e noite."

O Tao, ou princípio universal

Lao-Tse deixou o legado da Lei do Tao, o curso das coisas, o princípio Uno no interior do múltiplo. Baseado em uma viga mestra, o "t'ai-chi", o Tao representa a dualidade do mundo manifesto. Esse mundo é resultado da Criação do binômio matéria-energia, oriundo do imanifesto, o Criador. A dualidade no mundo manifesto (o mundo real para nós) assume os aspectos Yin e Yang.

O uso milenar do I Ching

O I Ching tem sido usado desde períodos muito antigos da história da China, nele condensada uma sabedoria que norteou, ao longo de séculos, a filosofia, a ciência e a arte de governar do povo chinês. Não é por acaso que o I Ching tenha escapado à grande queima de livros ocorrida no período de Ch'in Shih Huang.

No ocidente passou a despertar a atenção a partir dos trabalhos de ocidentais como Legge e Wilhelm, mostrando seu firme potencial como fonte de respostas às questões vivenciais humanas.

O I Ching é apenas um oráculo?

É importante saber que o I Ching NÃO é apenas um oráculo. É, na realidade, um conjunto de conhecimentos esotéricos de grande profundidade, e que engloba a capacidade de responder questões vivenciais. Um indício da grandiosidade do I Ching é ter antecipado, com 5000 anos, o modelo do código genético! (veja depois a página a respeito desse assunto: "O I Ching e o DNA").

Os oráculos na antiguidade

No início o I Ching consistia numa coleção de signos, com a finalidade oracular. Escondia seu caráter de arcabouço esotérico, tal como sucede com inúmeros outros sistemas desse tipo. Essa ocultação sempre ocorreu na história, de forma que os sistemas de conhecimento esotérico pudessem escapar do obscurantismo que ataca tais sistemas. Um exemplo foi o do Tarot, que se tornou um jogo de cartas para ocultar sua capacidade de revelar leis do universo.

Os oráculos antigos restringiam-se às respostas "sim" e "nào", o que também serviu de base para o I Ching. As respostas eram dadas na forma de 2 grandezas binárias : a linha cheia (____) e a linha partida (__ __).

Os elementos básicos na origem do I Ching

Os chamados "kua" (signos, ou sinais gráficos) remontam já à origem, tomando a forma dos trigramas e dos hexagramas, que são a base interpretativa do oráculo. Formalizados ao início da conceituação do I Ching, antecipam o sistema binário que, entre outras coisas, fundamenta o funcionamenteo dos modernos computadores.

A codificação do I Ching

É bom notar que a codificação binária mais elementar se processa como apenas 2 signos: a linha cheia (ou a grandeza binária "1") e a linha partida (ou a grandeza binária "0"). Se tivermos 2 posições para uma codificação binária (ou seja, duas "casas" para os números), teremos um total de 4 grandezas binárias no total, representando, a saber, 00, 01, 10 e 11. São 4 os signos do I Ching que dão origem ao restante da codificação.

A adição de mais uma linha à resposta do I Ching levou a codificação do I Ching para mais próximo do código genético, onde três dentre quatro símbolos são usados na codificação. Isso guarda uma interessante semelhança com os computadores, onde o Byte contém 3 posições binárias! Com isso obtém-se 8 valores: 000, 001, 010, 011, 100, 101, 110 e 111. São também 8 os trigramas do I Ching!

Com isso os 8 símbolos, ou trigramas, podem ser agrupados 2 a 2 (novamente a combinação binária), o que vai resultar nos 64 hexagramas, base simbológica da interpretação. Aqui também mantém-se a "concidência" com as 64 palavras do código genético.

O começo com a dinastia Chou

O início com oráculo seria devidamente conceitudado com arcabouço esótérico pelo trabalho do Rei Wen e de seu filho, o Duque de Chou, que viveram por volta de 1150 a.C. Eles atribuiram aos hexagramas conselhos de conduta correta e, com isso, ampliaram enormemente o caráter divinatório do I Ching. Criaram a possibilidade de se chegar a uma visão global da configuração das circunstâncias, dando ao I Ching a perspectiva de mostrar ao consulente todo um panorama do que deveria ser feito. Nascia então, a cerca de 5000 atrás, o mais sofisticado sistema divinatório de que se tem notícia.

O I Ching torna-se o Livro da Sabedoria

Aqui repetimos as palavras de Wilhelm. "De importância muito maior que o uso oracular é o uso do Livro das Mutações como Livro da Sabedoria. Lao-Tse conheceu esse livro e alguns de seus mais profundos aforismos nele se inspiraram. Confúcio também teve contato com o I Ching, ao qual dedicou longa reflexão. Ele provavelmente redigiu alguns dos comentários de interpretação encontrados no I Ching, enquanto que outra parte desses comentários deve ter sido transmitida a seus discípulos em aulas. Foi a versào do Livro das Mutações editada e comentada por Confúcio que chegou até nosso tempo."

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Veja também "A história do Livro das Mutações", em texto de Richard Wilhelm. (veja a página da Bibliografia).